O nome dele é suficiente para dividir qualquer grupo de torcedores ao meio. Uns defendem com unhas e dentes. Outros, o rejeitam igualmente, pedem que ele seja deixado de lado. Estamos falando de Neymar Jr. — e da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá.
A pergunta que o Brasil inteiro está fazendo: ele merece estar lá?
Para responder com honestidade, precisamos olhar para os fatos — e eles são muito mais complexos do que se imagina.
O contexto que ninguém pode ignorar
Neymar completou 34 anos em fevereiro de 2026. Desde outubro de 2023, quando rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo numa partida pela Seleção Brasileira, o camisa 10 disputou pouquíssimos jogos pelo Al-Hilal — e nenhuma competição de alto nível de forma consistente.
São mais de dois anos praticamente sem futebol profissional de alto rendimento. Dois anos em que Vinícius Jr. se consolidou entre os melhores do mundo, Rodrygo amadureceu, Endrick chegou à Europa e Raphinha se tornou protagonista no Barcelona. Uma nova geração mostrou, em campo, que o Brasil não depende mais de um único nome.
E a Copa América 2024? Ele foi convocado, mas voltou a se machucar e ficou fora de praticamente toda a competição. A sensação, para muitos, foi de déjà vu — e o déjà vu mais doloroso possível.
Os argumentos que ninguém derruba: Por que Neymar MERECE ir
📌 Ele é o maior artilheiro da história da Seleção. Com 79 gols marcados com a camisa amarela, Neymar superou Pelé. Esse número não some. Essa história não se apaga.
📌 Quando está em campo, ainda é um fenômeno. Os poucos jogos que disputou pelo Al-Hilal e Santos mostraram que a qualidade técnica permanece intacta — dribles desconcertantes, passes em profundidade, visão de jogo de outro nível. Isso não se aprende na academia de fisioterapia.
📌 O peso psicológico que ele carrega. Há adversários que entram em campo já perturbados só de ver o número 10 amarelo e verde aquecendo. Isso vale algo — e os dados de concentração defensiva dos oponentes quando Neymar está no time comprovam.
📌 Se chegar em ritmo, pode ser decisivo. Uma Copa dura pouco mais de um mês. Se a preparação for em ritmo consistente, Neymar pode chegar ao pico. Já aconteceu antes: ele foi o melhor do Brasil no Qatar 2022 antes da eliminação nas quartas.
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Os argumentos que também não têm resposta: Por que Neymar NÃO merece ir
📌 Ritmo de jogo não se finge. Um atleta que ficou dois anos longe das grandes competições precisa de tempo para recuperar a confiança muscular, a leitura de jogo em alta intensidade e o entrosamento tático. Uma Copa do Mundo não é o lugar certo para pegar esse ritmo.
📌 A concorrência nunca foi tão forte. Raphinha, Vinícius Jr., Rodrygo, Endrick, Gabriel Martinelli — o Brasil nunca teve tantos atacantes de alto nível disputando espaço ao mesmo tempo. Uma vaga para Neymar significa tirar espaço de alguém que está no melhor momento da carreira, em ritmo de jogo real.
📌 A Copa de 2022 ainda dói. Neymar foi excepcional no Qatar, mas a Seleção caiu nas quartas de final para a Croácia. A dependência de um único jogador — por mais talentoso que seja — é um modelo que o futebol moderno já superou.
📌 O corpo manda recados. Esta foi a terceira grande lesão em poucos anos. Ignorar esses sinais na maior competição do planeta é um risco enorme — não só para Neymar, mas para o projeto da Seleção inteira.
A decisão que Carlo Ancelotti não consegue adiar
O técnico Carlo Ancelotti sabe que a convocação de Neymar vai muito além do futebol. É política, é marketing, é história — mas também é responsabilidade com um grupo que ele vem trabalhando nos últimos anos para chegar lá.
A tendência, segundo a maioria dos especialistas, é clara: Neymar precisará provar sua recuperação em campo nas poucas semanas que antecedem a Copa. Sem minutos jogados com regularidade em alto nível, sem camisa amarela em 2026.
A decisão mais difícil da gestão Ancelotti pode estar chegando. E ela vai definir não só uma lista de 26 nomes — mas o modelo de Seleção que o Brasil quer ser daqui para frente: o do craque eterno que merece uma última chance, ou o do coletivo que prova que nenhum nome é maior do que a equipe.